Antoine Dufilho é o escultor francês que transforma carros famosos em metal empilhado, e o resultado parece mover-se, embora nada se mova. Ele corta aço e alumínio em perfis, sobrepõe-nos com espaços entre cada chapa e constrói um carro que parece sólido de um ângulo e dissolve-se em velocidade de outro. É o automóvel tratado como uma obra de arte, que é a ideia em torno da qual este site foi construído.

Quem é Antoine Dufilho?

Antoine Dufilho é um escultor francês autodidata que trabalha a tempo inteiro em escultura desde 2012. Chegou à arte sem formação artística formal e desenvolveu a sua própria linguagem em vez de herdar uma, o que explica em parte porque é que o trabalho se distingue do bronze ou mármore tradicionais.

Os seus temas são quase sempre máquinas que já transportam ambição de design: automóveis acima de tudo, e aeronaves ao lado deles. Ele não esculpe carros comuns mas sim os ícones, as formas que já eram consideradas belas antes de alguém pensar em pendurá-las numa parede ou colocá-las num pedestal.

Como é que o Dufilho cria a ilusão de movimento?

Ele constrói o carro a partir de camadas de metal separadas por vazios, para que o olhar capte a velocidade à medida que se move em torno da peça. Cada camada é uma secção transversal do carro, e os espaços entre elas deixam passar a luz, pelo que uma forma sólida parece desfocar-se, agrupar-se e dissolver-se dependendo de onde se está a olhar.

O efeito é cinético sem qualquer peça móvel. O espectador fornece o movimento, passando pela escultura como se observasse um carro a passar, e a estrutura em camadas transforma essa caminhada numa animação.
Elemento técnicoO que fazEfeito no espectador
Camadas sobrepostasCada uma é uma fatia da forma do carroLê-se como um corpo sólido de frente
Vazios entre as camadasDeixam a luz passar através da massaO carro parece dissolver-se num ângulo
Aço e alumínioMantêm um fio de corte precisoLinhas aguçadas sugerem fluxo de ar e velocidade
O movimento do espectadorAltera o ângulo de visãoTransforma um objeto estático em movimento
O método aproxima-se mais de desenhar no espaço do que de esculpir. Dufilho remove material para sugerir uma forma em vez de a acumular, pelo que a escultura é definida tanto pelo ar interior como pelo metal.

Porque esculpir carros?

Porque o automóvel tem sido tratado como arte há mais de um século, e Dufilho trabalha firmemente nessa tradição. Em 1909, o escritor italiano Filippo Tommaso Marinetti abriu o movimento futurista declarando um carro de corrida "mais belo que a Vitória de Samotrácia", colocando a máquina acima da escultura clássica pela primeira vez.

Os Futuristas tentaram então dar forma sólida à própria velocidade, mais famosamente na obra em bronze de Umberto Boccioni de 1913, "Formas Únicas de Continuidade no Espaço", uma figura em passo que parece mover-se enquanto está parada. Dufilho persegue o mesmo objetivo um século depois, sendo que o seu tema é o objeto que os Futuristas adoravam desde o início: o automóvel.

Quais carros se traduzem melhor em escultura?

Os carros com as formas mais fortes e limpas criam as esculturas mais fortes, razão pela qual os ícones se repetem. Uma forma que já é lida como arte em metal, como o Jaguar E-Type que o Museu de Arte Moderna coleciona como design, confere à abordagem em camadas algo que vale a pena ser dissecado.

O mesmo acontece com um Ferrari de competição ou um Mercedes da era prateada. O Ferrari 250 GTO e o Mercedes-Benz 300 SLR foram desenhados para a velocidade, e um escultor que trabalha com velocidade encontra as suas curvas já a meio caminho da abstração.

O que torna a escultura automóvel colecionável?

Os colecionadores compram esculturas automóveis pelas mesmas razões pelas quais compram os carros: forma, raridade e o prazer de possuir um objeto de design. Uma escultura não exige nada de uma garagem e nunca precisa de uma reconstrução de motor, mas mantém a mesma forma que faz as pessoas pagarem milhões pela coisa real. Ocupa também um cruzamento que poucas peças ocupam, sendo bem-vindo tanto numa coleção de arte como numa coleção de carros. Para quem valoriza as ideias apresentadas no nosso guia sobre o que torna um carro clássico valioso em milhões, uma escultura oferece o design sem a desvalorização, a proveniência ou a burocracia.

Perguntas frequentes

Que técnica utiliza Antoine Dufilho? Ele sobrepõe chapas de aço e alumínio cortadas, com espaços vazios entre elas, de modo que o carro parece sólido quando visto de frente e parece dissolver-se em movimento quando visto de lado.

Antoine Dufilho tem formação académica? Não. É um escultor autodidata que trabalha a tempo inteiro neste meio desde 2012 e desenvolveu o seu método de camadas de forma independente.

O que mais esculpe o Dufilho para além de carros? Aeronaves são o seu outro tema principal e, tal como os carros, são máquinas construídas para a velocidade, o que se adequa ao seu método de congelar o movimento em metal.